Formação

A Bíblia – carta de Deus para nós

Deixe seu comentário
Quando nos colocamos a ler as Escrituras estamos trazendo Deus para mais perto de nós.

Quando nos colocamos a ler as Escrituras estamos trazendo Deus para mais perto de nós.

O mês de setembro, dentro do “Ano Litúrgico” é um mês dedicado à Bíblia. Um tempo que nos convida a dedicar maior atenção à reflexão sobre a Palavra de Deus, procurando  também encontrar formas de incentivar a Leitura Bíblica.
Ler a Palavra de Deus  é como ler uma carta de um grande amigo, ou de um ente querido que, ás vezes distante, vai se tornando próximo à medida que a correspondência se torna contínua. Através  de uma carta é como se a pessoa se fizesse presente, e está a dizer que te ama, que é teu amigo, que estará sempre consigo. Assim é a palavra de Deus. Quando nos colocamos a ler as Escrituras estamos trazendo Deus para mais perto de nós, colocando-o presente em nossa vida. Ao lermos a Bíblia devemos deixar que ele nos conduza pois se trata de um livro vivo e, como tal, quer entrar em diálogo com quem está lendo-o, quer influenciar sua vida, sua consciência.


Vamos ouvir a Deus e falar com Ele

Nossas realidades atuais parecem transcorrer tão rapidamente que não nos sobra tempo para parar, escutar e refletir sobre a Palavra de Deus. Estamos sempre apresentado desculpas  pela falta de tempo de nos colocarmos em oração. Os pais, muitas vezes, não têm tempo de rezar com seus filhos, os esposos com suas esposas. Sempre estamos a fazer alguma coisa.
Observamos nos encontros de nossas catequeses que muitas crianças não sabem rezar a “Ave Maria”, a fazer o sinal da cruz, pois não tiveram a oportunidade de aprender em casa.
Várias crianças afirmam que em casa a família tem a Bíblia aberta na estante, mas é muito difícil parar diante dela para ler, para ouvir Deus lhes falar.
Sabemos também que Deus tem seu jeitinho e está sempre a nos provocar, nos pressionando para que lembremos dele. Aí, quando acontecem essas provocações,  nossas reações  são primeirmente de reclamação:  Deus, por que eu? Porque isso acontece comigo? Ou então vamos suplicar a Deus que nos ajude. E bem depois, mais tarde, talvez aconteça um “Deus, muito Obrigado”, “Deus , fica comigo”.

Sabemos, também, que há muita gente que reza e reza bem! Gente  de fé que continua sua caminhada sem perder as esperanças.  Gente que reza pelos que não rezam.  Vamos rezar com nossos filhos, ensiná-los que Deus ouve os nossos pedidos e, assim, eles crescem com a semente da oração no coração. Então vamos continuar rezando, propagando e proclamando a Palavra de Deus. Vamos continuar lendo a Bíblia e transmitindo-a aos que não leem. Vamos continuar dando o nosso testemunho cristão, vivendo os valores do Evangelho.

A prática da oração em família desperta o desejo de rezar em comunidade, de participar das celebrações, partilhar os momentos vividos. A oração diária é sinal do primado da graça no caminho do discípulo missionário.

Como o mestre Jesus que se coloca a caminho, convidando seus discípulos a caminhar com ele e chegar até às grandes multidões, assim também o Papa Francisco nos convida a ser Igreja no meio do povo, nas periferias,  nos colocando a caminho. Põe-se a anunciar a Boa Noticia aos irmãos, a dar esperança aos que sofrem, a semear liberdade, luz e graça. Todos somos seres humanos vocacionados para o anúncio da Palavra. Diz o Papa Francisco, em sua mensagem para o Dia mundial de oração pelas vocações: “Nenhuma vocação nasce por si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Convido-vos a ouvir e a seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras, que são espírito e vida (Jo 6,63). Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida”.

Vamos deixar que a alegria de Deus reflita nos encontros catequéticos afirmando sua presença no meio de nós quando por meio da escuta da Palavra nos encontramos com seu Filho Jesus e quando colocamos em diálogo a sua Palavra.
Respondendo ao apelo do Papa Francisco que nos propõe assumir as obras da misericórdia corporais e espirituais, nós, catequistas, exercendo o ministério da Palavra, devemos nos tornar reveladores do mistério de Deus.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética deBH

Publicado em Opinião e Notícias. Disponível em www.arquidiocesebh.org.br