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A FIDELIDADE NA UNIDADE

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Mediante a vivência profunda do Matrimônio como realidade sacramental que, em última análise, consiste na experiência do amor compartilhado, nós tornamos Deus presente na realidade humana, possibilitando à família saborear com autenticidade a riqueza de cada aspecto da vida familiar.

Um dos objetivos dos que se unem pelo casamento é a busca da unidade. Isto implica um empenho constante em conhecer o outro tão profundamente para que possamos caminhar na mesma direção, perseguir as mesmas metas, colocar-nos de acordo quanto à educação dos filhos, oferecer um ao outro suporte afetivo e espiritual. Isso, sem anular as diferenças, que são saudáveis e enriquecedoras. Se analisarmos bem, entretanto, cada membro do par conjugal apresenta mais características que tendem a separá-los, do que pontos de união. Temperamento, mentalidades diferentes, educação, impulso de autoafirmação.

A unidade é busca de toda a vida, é um constante desafio. Exige que renovemos cada dia o “sim” que pronunciamos diante do altar, entre flores e músicas, com a presença solidária de familiares e amigos. Dizer sim ao outro cada dia, depois da ofensa, da atitude de incompreensão, da cena de ciúme, da discussão desgastante, requer uma força que só pode vir de Deus.

“Recebe esta aliança em sinal de minha fidelidade”. ´Foi o que afirmamos no momento do casamento. Ser fiel não significa apenas não praticar o sexo fora do casamento. Fidelidade é cumprir os compromissos todos que assumimos: amar e respeitar um ao outro todos os dias da vida. Nós somos infiéis todas vezes que as nossas atitudes ferem o amor e o respeito, que de alguma maneira fazem o outro infeliz. Ser fiel entre tantos apelos eróticos, no meio de tantas sugestões de violência, mergulhados num mundo onde prevalecem o prazer e o egoísmo, é decisão que supera as nossas forças humanas e precisa do amparo da graça de Deus, que nos vem através do sacramento do Matrimônio.

José Wagner Leão

teólogo, filósofo, escritor,

professor de Português e Latim do UNI-BH