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AUTOESTIMA, O QUE É ISSO?

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A autoestima é construída a partir do conceito de quem somos e transmitida pelas pessoas que nos cercam

 

Pensemos em três personagens. Um que vive dizendo: “Oh, vida! Oh, céus! Como isso é difícil! Não vou dar conta!” E outro diz: “Eu tenho a força! Eu faço! Eu posso! Nada me segura! Eu sou o bom!” Ainda um terceiro: “Sei dos meus limites e dificuldades, mas luto para os superar. Reconheço meus talentos e os coloco a serviço dos outros”.

Qual imagem cada um traz de si? Essa imagem é a sua autoestima.

Autoestima é o sentimento valorativo que temos de nós mesmos, da nossa maneira de ser, de quem somos, do conjunto de traços corporais, mentais e espirituais que formam nossa personalidade. Ela é construída a partir do conceito de quem somos, transmitidos pelas pessoas que nos cercam, sobretudo a partir de nossa infância. Esse conceito vai sendo internalizado, e chegamos à idade adulta com uma visão positiva, negativa ou deturpada de nós mesmos.

As vivências dos três personagens

Voltemos aos nossos personagens. O primeiro se vê como uma pessoa desprezível, sem valor, sendo os outros melhores, não confia em suas habilidades e, por isso, esconde-se, evitando os contatos sociais. Provavelmente, ele tenha sido humilhado e rechaçado em sua infância por pessoas significativas, como pais, professores, colegas entre outros, mesmo que sutilmente. Pode ser que tenha experimentado diversas comparações entre irmãos, primos e colegas, nas quais os outros sempre eram melhores. Ou talvez tenha convivido por muito tempo com a violência familiar e maus tratos. Também podem ter caçoado dele quando pediu ajuda ou, quem sabe, tenha sentido medo, dor, buscado proteção. Ou ainda, de forma subliminar, terem lhe comunicado que ele era culpado pelo sacrifício de mantê-lo, criá-lo, dispensando tempo, dinheiro, sofrimentos e lágrimas. Também pode ser que tenha se sentido ameaçado por seus pais, professores autoritários ou contraditórios, causando maior confusão em seus sentimentos, porque as reprovações vinham acompanhadas de manifestações de carinho. Ou talvez tenha sido superprotegido pelos demais, que lhe passaram a ideia de que ele era incapaz de fazer algo, de forma que todos o poupavam e faziam as tarefas por ele.

Nosso segundo personagem possui um amor excessivo por si mesmo e pelas coisas que faz. Está enamorado por si mesmo (qualquer semelhança com o mito de Narciso não é mera coincidência) e não tem olhos para ver o que está ao seu redor: fatos, evidências ou pessoas. Talvez o que ressoe dentro dele sejam as palavras e imagens que seus pais lhe transmitiram, endeusando-o, ressaltando suas qualidades e negando seus defeitos.

Quais foram as vivências do terceiro personagem? Foi-lhe concedido o direito de não ser perfeito, de errar e aprender com os erros. Foi respeitado em sua individualidade, aprendendo que as pessoas são diferentes, únicas e irrepetíveis, que cada uma tem o seu valor. Ele foi ouvido, protegido, ajudado, compreendido quando precisou. Alegrou-se, brincou, chorou, sofreu, caiu, levantou, foi perdoado e perdoou, foi amado e amou. Hoje, ele sabe quem é e qual o seu verdadeiro valor.

Nossos dois primeiros personagens estão precisando de ajuda. Vocês concordam? Caso vocês encontrem alguém assim por aí, ajude-o, conscientizando-o de que está mal e necessita de ajuda profissional para aprender a ajudar a si mesmo. E se esta pessoa for apenas uma criança, que tal mudarmos nossa atitude para com ela, buscando valorizar aquilo que realmente ela é: única, irrepetível, com valores individuais, mas suscetível de erros e capaz de transcender?

 

Mara S. Martins Lourenço
Psicóloga