Formação

Vocação, perguntas e respostas

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Painel do altar principal da Igreja São Francisco de Assis, de Portinari – Pampulha/BH

Desde a mocidade, havia algo que inquietava o jovem Francisco, algo que o diferenciava dos demais. Alguns relatos nos ajudam a perceber tal diferença. Certa vez estava trabalhando na loja com seu Pai, um pobre lhe pede esmola e ele nega. Uma atitude normal para muitos da época e de hoje também. Mas, quando o pobre saiu, Francisco se deu conta do havia feito e um sentimento de culpa o invadiu. Ele, então, jurou que nunca mais negaria um pedido que lhe fosse feito “por amor de Deus”.

Outro fato semelhante ocorreu quando Francisco foi preso pela ambição de ser cavaleiro de guerra. Na prisão, aproveitou o tempo para pensar no sentido de sua vida. E, ainda na prisão, o Senhor o visita em sonho lhe pergunta: Francisco, para onde você quer ir? Francisco explica todo o seu plano. E o diálogo continua: Francisco, quem te pode fazer mais e melhor, o Senhor ou o seu servo? Ele responde: O Senhor! Então porque você deixa o Senhor pelo servo e o príncipe pelo vassalo? E ele pergunta: Senhor, Senhor, que queres que eu faça?

Existem diversos relatos em que Francisco, revela o desejo de encontrar um sentido para sua vida. Fiz questão de relembrar estes para dizer que, Francisco era um homem sensível. Ele conseguia extrair dos acontecimentos à sua volta, algo de valor para sua existência ou até mesmo as respostas para tantas perguntas que o atormentavam.

Francisco levou a sério aquele sonho, porque soube interpretar o desejo de seu coração. A partir de então, ele continua sua busca com a sensação de que cada dia mais, se aproxima daquilo que buscava. Sempre era invadido por uma força interior inexplicável que aos poucos o transformava num novo homem, capaz de vencer a si mesmo, e acolher com um beijo um leproso de quem tanto tinha repugnância.

O que nos falta às vezes é essa sensibilidade de Francisco. Não estamos atentos às pequenas coisas do cotidiano, porque às vezes não acreditamos que elas podem nos revelar a presença de Deus ou até mesmo dar respostas as nossas perguntas. Deixamo-nos levar pela correria do dia a dia ou ficamos em busca do momento perfeito para refletir sobre nossas questões nossas buscas, nossas inquietações. Fechamos nossos olhos para o obvio e quando nos damos conta a oportunidade que tanto esperávamos ficou no passado. Somos seres em construção, mesmo quando consideramos ter concluído a obra, ela precisa de reparos. Contudo, o dono só percebe isso se a observar e não deixar que uma pequena rachadura se transforme em uma parede desmoronada. Assim é a nossa vida, estamos sempre em construção, não podemos delegar a outro aquilo que é de nossa responsabilidade. Podemos e devemos pedir ajuda, mesmo que às vezes seja difícil para nós, mas a decisão final é sempre nossa.

Francisco continuava sua caminhada na busca de entender o que estava acontecendo em sua vida, e com grande desejo queria realizar a vontade do Senhor, porém, ele não sabia como fazer e nem por onde começar. Pode se dizer que o jovem Francisco encontrava-se numa crise vocacional espiritual, cheio de dúvidas. E ao caminhar nos arredores de Assis, “conduzido pelo Espírito” entra na Igrejinha de São Damião e se prostra em súplica diante do crucifixo. Então a imagem de Cristo Crucificado lhe fala: “Não vês que a minha casa está em ruína? Vai, pois, e restaura-a para mim”.  Francisco, trêmulo, atônito, responde: “Farei isso, Senhor, com todo meu coração e toda minha alma”.

A partir daí, nunca deixou de cuidar daquela igrejinha e daquela imagem. Com aquele encontro tudo na sua vida mudou. Um momento marcante foi quando ouviu o Evangelho em que Jesus enviava os discípulos dois a dois dizendo, “Eu os envio a pregar o Reino de Deus e a curar, não levem nada pelo caminho, nem bastão nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas” (Lc 9, 2-3). E, radiante de alegria, ele diz: “É isso que eu procuro, é isso que eu desejo e é isso que eu quero com todas as forças do meu coração”.

Francisco encontrou a resposta para sua pergunta, porque buscou incansavelmente compreender a vontade de Deus em sua vida. Depois do encontro com o crucificado, ele parecia ferido de amor por Cristo. Tal visão provocou nele uma experiência extasiante de amor, o impulso decisivo e para sua conversão e vocação.

Para refletir:
Jovem, você já se deu conta do que Deus anda falando com você?!

Ir. Amélia Soares da Silva
Clarissa Franciscana -Responsável pela Animação Vocacional
Graduada em Psicologia pela UNIVALE – Universidade Vale do Rio Doce. Pós-Graduanda em Juventude no Mundo Contemporâneo pela FAJE – Faculdade Jesuíta de Teologia e Filosofia.

Fonte: www.arquidiocesebh.org.br